11 de agosto de 2013

O tempo voa

      O tempo voa e por qualquer razão, hoje lembrei-me de algo que aconteceu há demasiado tempo para fazer as contas ao que já passou. Dei por mim a citar mentalmente algo que escrevi na escola, uma daquelas tarefas que mais ninguém lê e que mais nenhum professor te iria pedir para escreveres, só mesmo aquela persona com aquelas características.
        Numa das primeiras aulas do ano, a professora queria aferir as nossas competências escritas e com um simples "Escrevam qualquer coisa, sobre qualquer coisa, o que quiserem", arrasou a minha criatividade. Estive uns bons três minutos, daqueles que parecem uma eternidade, a olhar fixamente para a minha folha de papel. Pois, ora esta, agora tenho de escrever qualquer coisa sobre qualquer coisa, o que quiser, diz ela. Isto parece irreal. Contudo, num sopro de inspiração vinda da janela da própria sala de aula, lembrei-me da primeira vez que olhei pela janela da cozinha da minha "casa nova".
        Lembro-me perfeitamente da sensação que descrevi naquelas curtas linhas, descrevi a metáfora que era a vista da minha cozinha. A janela era enorme, tinha uma boa perspectiva  de tudo o que ela me mostrava. Uma enorme autoestrada, um hipermercado em constante evolução, moradias, vivendas, prédios. Muitos prédios. E uma encosta enorme, hoje em dia, parcialmente ocupada por um novo estabelecimento, um motel. Referi que me perdia a pensar quando lá me encostava a desfrutar a vista. Não lhe sabia dizer porquê mas era isso que acontecia. E com isso, a minha folha foi-me devolvido com um "Bom".
       Nesse dia, aquela professora fez algo que nunca ninguém iria conseguir fazer por mim. Naquele dia, ela não me disse "Escreves bem" ou "Melhora aquilo ou isto". Bem, naquele dia, a professora deu-me a oportunidade de me exprimir, livremente, e mais do que isso, eu percebi que havia muito mais que eu precisava de expressar de formas que até ali não conhecia. Aquela tarefa, salvou-me a vida.

Como este exemplo, teria muitos mais, em que por mais crianças ou adolescentes perdidos houvesse dentro de um sala, aquela sala, a nossa sala, era o nosso mundo, onde vários professores souberam com sorrisos resolver problemas que grande parte de nós, os amigos, os melhores amigos desconhecíamos.

Ainda hoje, a metáfora da vista da minha janela me acompanha. Uns oito anos depois, a professora de quem já nada sei, continua a fazer parte da minha vida já que a metáfora que ela terá claramente entendido e que a mim demorou tanto a perceber, ainda hoje me assola. E hoje, talvez com especial cuidado, agradeço por todos os professores que tive o prazer de "chatear" e que com menos ou mais frequência visito. Pois tenham a certeza que nós, trazemos sempre um bocadinho de vocês para o resto da nossa vida.

Obrigada Professores, por tudo o que fizeram por mim e por nós!

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