10 de julho de 2009

#5

A dor trouxe-me uma amiga.
Falou-me de amores e dores,
De paixões e desilusões,
De imensas ilusões.
Explicou-me,
- Usa-me, sempre que a dor te atormentar.

As mais belas obras se podiam ter criado,
As mais fantásticas palavras foram escritas,
Escrevi sentimentos, pintei emoções, fumei situações, bebi almas.
Recrio tudo imensas vezes na minha cabeça.
Ao observar cada obra,
Sei tudo o que senti.

Arte!
O meu sofrimento é arte!
Arte!
Arte, arte, arte!
- Criaste arte. Como te sentes?
Interrogação mais expressivamente pertinente nunca respondida.

Hoje,
Hoje quero arte na minha vida.
Hoje quero que a minha vida seja arte.

Que arte esteja no canto da mesa em que todos os dias como,
Que arte esteja na paisagem caduca desta cidade,
Que arte esteja no meu íntimo sem cessar.
Que a minha vida me emocione a ponto de escrever.
Escrever e perder de vista o início de cada poema.

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