Lembro-me que não deixaste de olhar os meus olhos, durante eternidades.
Olhei todos os teus poros, não deixei que nada me distraísse.
Lembro-me que estavas próximo e eras a única cara familiar entre milhares.
Lembro-me que o frio não conseguia chegar até mim,
Lembro-me que me abraçaste quando a bolha da multidão de nada servia.
A tua mão cobriu o meu rosto por uns minutos
Enquanto o cansaço me invadia a mente.
A sensação de dormência e cansaço tomou conta de mim.
O dia tinha sido longo, a noite assim se adivinhava
E as minhas pernas já nada queriam
E os meus olhos teimavam em fechar-se.
A minha cabeça encostou-se ao teu ombro e senti o teu braço a rodear-me.
Os gritos de extâse, a música que ao longe se ouvia como se perto estivesse,
O calor do teu corpo e o toque dos teus lábios.
Envolves-me num encanto tal que nem me apercebo que os minutos se passavam
E, sem os meus olhos se abrirem, adivinhei um movimento.
Pedi a mim mesma para nunca mais abrir os olhos e guardar aquela sensação.
Pedi que tu não te mexesses mais e que sentisses aquilo.
Mas a tua respiração estava a fazer-se sentir no meu corpo,
O teu batimento cardíaco estava a silenciar o meu,
A tua pele começava a ser aquecida pela minha,
Os teus braços apertaram o meu corpo com mais afinco,
A tua mão afastou o meu cabelo
E os teus lábios decidiram tocar os meus.
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