20 de abril de 2012

Nem todos os dias são bons

Nem todos os dias são bons. Nem todos os dias tenho vontade de sorrir ou certeza de que tudo irá acabar bem. Hoje é um desses dias de excepção.
Sinto-me sem rumo, sem direcção. Como se de repente me tivessem tirado o chão, é assim que me sinto. Não sei qual o caminho que devo seguir e a única coisa que me apetece fazer é parar o tempo, embrulhar-me nos meus cobertores e fingir que o mundo deixou de existir. Quero que pare, eu quero que tudo pare, que me dê mais tempo. Quero que o tempo me dê tempo, como eu muitas vezes lhe dei.
A minha mente parece inanimada mas não me deixa descansar, como se simplesmente eu não conseguisse funcionar. Não me apetece encarnar um ser social, quero estar sozinha e fazer tudo sozinha. Quero fazer de conta que está tudo bem e afundar-me em livros e viver a minha vida perfeitamente sozinha. Fazer de conta que não existes até me enterrar nos teus braços, me perder nos teus beijos e deixar de conseguir respirar.
Nem todos os dias são bons. Hoje não tenho vontade de sorrir, não tenho a certeza de que tudo se vai resolver nem que tudo vai acabar bem. Hoje parece ser um dia normal, não uma excepção.
É como se eu tivesse perdido parte do meu brilho, como se o meu olhar tivesse perdido o brilho porque olho para tudo de modo diferente, mais escuro. Não adianta. Olhei uma, duas, olhei três vezes e o rumo não aparece. Apetece-me simplesmente enfiar-me entre livros, cadernos e músicas. Fazer de conta que tudo está bem. É isso, fazer de conta que tudo está bem.
Vou-me levantar e arranjar os meus cabelos como se fossem perfeitos. Vou maquilhar-me e sorrir ao acabar a obra-prima. Vou usar uma roupa bonita e vou sorrir ao falar com as pessoas. Vou ser a melhor, a mais convincente actriz. Porque afinal, nem saberia explicar o que se passa.

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