Sinto-me sem rumo, sem direcção. Como se de repente me tivessem tirado o chão, é assim que me sinto. Não sei qual o caminho que devo seguir e a única coisa que me apetece fazer é parar o tempo, embrulhar-me nos meus cobertores e fingir que o mundo deixou de existir. Quero que pare, eu quero que tudo pare, que me dê mais tempo. Quero que o tempo me dê tempo, como eu muitas vezes lhe dei.
Nem todos os dias são bons. Hoje não tenho vontade de sorrir, não tenho a certeza de que tudo se vai resolver nem que tudo vai acabar bem. Hoje parece ser um dia normal, não uma excepção.
É como se eu tivesse perdido parte do meu brilho, como se o meu olhar tivesse perdido o brilho porque olho para tudo de modo diferente, mais escuro. Não adianta. Olhei uma, duas, olhei três vezes e o rumo não aparece. Apetece-me simplesmente enfiar-me entre livros, cadernos e músicas. Fazer de conta que tudo está bem. É isso, fazer de conta que tudo está bem.
Vou-me levantar e arranjar os meus cabelos como se fossem perfeitos. Vou maquilhar-me e sorrir ao acabar a obra-prima. Vou usar uma roupa bonita e vou sorrir ao falar com as pessoas. Vou ser a melhor, a mais convincente actriz. Porque afinal, nem saberia explicar o que se passa.
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