Quem sou?
Acho que passei mais de metade da minha vida a fazer esta pergunta a mim mesma. Ponderei descrever-me para responder a esta questão, mas deparei-me com a mais inglória tarefa.
“É tudo uma questão de perspectiva” ou “é o feitio da pessoa” são argumentos que justificam diferentes opiniões sobre a mesma pessoa. E eu sou como todas as outras pessoas. Umas apontam imensas características positivas, outras apenas as negativas e algumas têm a condição de ver os dois lados.
Eu pertenço ao último grupo quando o tema da discussão sou eu.
Gosto de pensar que sou boa pessoa ou que pelo menos, tento ser. Cheguei à conclusão que sou simpática para quem mo é mas não consigo ser o oposto para quem me faz mal, pois por muito que tente e afirme, no fundo, não sou uma pessoa violenta e vingativa. Se quem me magoa é realmente importante, provavelmente, não falo com a pessoa até que ela dê o primeiro passo nesse sentido.
Tenho plena noção de que sou vista como uma persona completamente diferente da que sou e por isso, farto-me de ouvir “Não tinha esta ideia de ti, antes...” de que quase todas as pessoas que são dão ao trabalho de realmente conhecer-me. Mas também ouço “Tens cá um feitio.”.
Por defesa talvez, desde muito cedo me defendi com uma postura fria e arrogante. A arrogância não a posso desmentir pois ela foi-me muito útil em muito boas e más situações. A frieza fez sempre parte de mim, e sempre me ajudou a não cair demasiado nas emoções do meu dia-a-dia. Ajuda-me, também, a tomar decisões sem deixar que as minhas emoções interfiram demasiado.
Há dias em que sinto que, no fundo, ainda não deixei de ser aquela menina pequenina que revejo nas fotografias... Teimosa que só aprende depois de dar com a cabeça na parede uma, duas ou três vezes, protectora, emocional e sempre com os braços abertos para mais um abraço dos amigos. Só não o mostro e preocupo-me em não o mostrar.
Sou aquela amiga capaz de ouvir quinze minutos de tristezas e misérias e responder com um “Cresce, isso não é nada. Quanta mais importância deres, mais tempo demoras a sair dessa.” – sem um abraço ou um sorriso - e sou a mesma que dá um abraço caloroso à mesma pessoa num olá rotineiro.
Tive desilusões e surpresas fantásticas com as pessoas que foram e vão passando pela minha vida. Todas elas me marcaram de alguma forma pois acredito que aprendi alguma coisa com cada uma delas.
Sou loira, morena ou ruiva consoante me sentir quando visito a minha cabeleireira. Talvez um dia decida que cor de cabelo me fica melhor, ou se calhar não. Visto umas calças de ganga largas ou um vestido curto porque simplesmente me apeteceu. Sou capaz de sair de casa sem ver se o cabelo está alinhado porque “não estou para isso” ou passar uma hora a arranjar-me só para ir tomar um café.
Quem quero ser?
Daqui a uns dez anos, quero olhar para a minha vida e pensar que sou feliz. Não precisa de ser tudo perfeito, não preciso de ter tudo o que penso que quero agora, não preciso de ter cumprido todos os meus objectivos.
E então o que é que eu quero ser?
Quero ter um sucesso equilibrado. Quero concretizar alguns dos meus projectos profissionais e pessoais. Quero ser confiante. Quero ser alguém que já conquistou e ainda quer consquistar.
Quero ser alguém que só se tenha arrependido de ter feito. Sejam as (muitas) noites sem passar na cama, os gloriosos momentos em que sentimos que está tudo bem e que não mudavamos nada na vida ou os terríveis em que só queremos que o mundo continuásse sem nós, sejam eles quais forem, quero tê-los vivos na minha memória.
Quero ver que tenho amigos, não muitos mas bons.
Quero ter perdido um pouco da teimosia e ter aprendido mais umas coisas.
Quero tornar-me numa mulher que se vê como uma mulher mas que reconhece alguns traços da adolescente rebelde que fazia a mãe ferver com as suas atitudes e a sua postura, e uns outros tantos da menina que um dia foi.
9 de Março de 2011,
Quarta-feira.
Quarta-feira.
Para o Padrinho.
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