Era suposto eu livrar-me das minhas inseguranças e deixar-me levar. Vi o que isso me trouxe: a curto prazo, muitas dores de coração e consciência. Fazer o que é certo pode doer mais do que seria desejado. Apesar dessas dores livrei-me de todos e quaisquer "E se".
Depois de decidir que se calhar estas coisas dos amores não eram mesmo nada para mim, depois de algum tempo completamente crente na minha escolha de "voar sozinha", depois de muitas cabeçadas na parede... Percebi para o que serviu tudo.
O facto de alguém novo aparecer e mudar tudo aquilo que eu pensava ser a verdade mais legitima não invalida nada do que senti antes mas relativiza. Se pensar bem, ainda bem que só chegou agora. Ainda bem que agora que chegou faz sentido.
Como é óbvio estou a levar isto num tom muito optimista nada meu. Não, não está tudo maravilhosamente bem.
Gostar de alguém, de uma forma que ainda não sei adjectivar...
Apesar de tentar, não consigo estar com alguém só com metade do meu coração para não me magoar por inteiro. Assusta-me a futura distância, a futura independência, a futura diferente vivência de ciclos. Assusta-me as vidas serem tão diferentes, assusta-me a minha insegurança crónica e a minha pequenez de amar demais. Assusta-me dar-me de novo a alguém e destroçar o meu coração, outra vez.
É mais forte do que eu cair nos braços dele. É-me impossível resistir ao olhar carinhoso, ao sorriso persistente, ao abraço que me aquece por dentro. O carinho é diferente de tudo o que até aqui tinha experimentado, as tremendas provas de carinho deixam-me sempre a sentir-me uma menina pequenina - como se ainda não tivesse vivido o suficiente para saber que tudo aquilo é possível ou que o possa merecer.
Se gostava de me conseguir distanciar de forma a não me magoar? Adoraria.
Mas nunca me perdoaria por perder alguém que é
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