Mas não é suposto que me desiludas, que me traias, que não me aceites, que não te preocupes comigo, que me queiras mas talvez não, que andes atrás de mim ou que me ignores. Não é suposto fazeres-me sentir como se eu nem existisse, não é suposto magoares-me sem sequer me deixares dar o primeiro sopro da manhã. Não é suposto que um conjunto significante de pessoas que mais dia menos dias se tornarão para mim insignificantes por tanto me magoarem, desiludirem e ignorarem quando a sua principal função é amarem-me, aceitarem-me e preocuparem-se.
Não é suposto que com 19 anos eu já saiba tanto que simplesmente preferia não saber. É suposto que eu saiba que uns 70% dos relacionamentos dá em verdadeiros infernos de violência, traição (tanta traição que parece não ter fim e no entanto tão aceite), fantasmas que vivem na mesma casa, pessoas que deixam de ser quem são para viverem pela sua metade e perdem uma vida a fazê-lo.
Depois perguntam-se porque é que a F. não namora, faz planos como se fosse sempre "apenas" ela e porque é que o casamento para ela não faz sentido.
"Ele ligou e disse que se tudo correr bem vamos ter um happy ending." = "Ele ligou-me depois de ser ignorado à força toda durante dias, quase desesperado porque a F. não dizia nada, talvez a F. tivesse um novo alguém e isso destruiria toda a dinâmica da sua relação. Ele então perguntou o que se passava de facto e ela disse-lhe que era demasiado para que lhe conseguisse explicar. Ele disse que essa era a razão pela qual se deveriam ver nos dias que se aproximavam. Mas ela sabia que isso poderia significar que ele iria querer mais daquilo que ambos queriam, por vezes. Por isso, a F. disse que não, adiou mais uma vez o inadiável. Ele prometeu-lhe tudo para que ela até lá não mudasse de ideias."
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