13 de junho de 2009

Ortónimo e Heterónimos

Estive a estudar Fernando Pessoa e heterónimos. Eu adoro esta parte da matéria. Gosto do mistério por trás da origem de cada persona, cada vivência, cada verso, cada forma individual de ser e escrever.
Pessoa enquanto ortónimo é um individuo completamente à parte quando se entrega a uma folha de papel, um ser que é diferente de todos os outros, pensa em vez de sentir, pois no que nele sente está a pensar - palavras do mesmo.
Alberto Caeiro, o mestre das personas criadas, aceita apenas o que vê e deseja pertencer à natureza, gosta da solidão quando está em paz e se sente parte integrada da natureza. Para ele pensar é não compreender.
Ricardo Reis, com uma formação clássica defende vertentes filosóficas antigas - epicurismo e estoicismo. Este cria para si uma felicidade relativa, através de uma enorme disciplina; aceita a ordem da vida, apesar de lhe custar aceitar a morte, a velhice, a efemeridade da vida. Adopta uma atitude pessimista, considerando que se não viver a vida de forma emotiva mas tendo sempre a razão presente, não se irá magoar. Poupando-se a felicidade, amor, desilusão, tristeza...
Álvaro de Campos, é muito parecido com Pessoa. Passa por três fases distintas: decadentista, futurista e intimista. A primeira e a última fase são deveras parecidas, apresentam sentimentos semelhantes como angustia, tédio, cansaço. Sendo que a fase intimista apresenta também reflexões. A fase Futurista é a mais emotiva, é normalmente apresentada como "excesso emotivo". É uma fase cheia de euforia, êxtase, onde o poeta canta o modernismo - as máquinas, a velocidade, os inventos tecnológicos. Chega a existir um prazer quase sexual na descrição destes inventos tecnológicos. A grande obra a evidenciar é a Ode Triunfal, onde o sujeito poético canta estas invenções, louva o passado, reflecte a sociedade da época e revela o seu desejo por pertencer àquela "natureza" "fazer parte de tudo" - tal como era o desejo de Caeiro em relação à natureza. Também, na fase intimista, vemos a semelhança com Pessoa, quando revela que a infância é o único momento da sua vida em que se considera realmente feliz: a inocência das crianças é muitas vezes mencionada como algo que permite a felicidade (pois não se tem consciência).


Princess.

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